Migalhas d'amor: Abraço

11:04


Ouvia-se o som das gaivotas ao longe e os teus olhos brilhavam com o sol a refletir-se neles. Estava quase e no teu rosto eu via a tristeza instalada, mas eu estava ainda mais triste que tu.
Olhei para o relógio e o ponteiro dos segundos parecia querer fugir de alguém. Corria, e o tempo passava agora mais rápido do que nunca.
Beijei-te pela última vez, e depois movi-me. Dei um passo em frente, mas o meu ser queria voltar para trás, para junto de ti. Pousei a minha enorme mala e abracei-te fortemente. Olhei-te nos olhos e foste embora. Eu percebi que não conseguias ficar ali, a ver-me partir.
Agarrei na mala e entrei no táxi, com a face molhada, repleta de lágrimas. Lágrimas de quem queria ficar contigo mas não podia e de quem ia ter saudades, muitas saudades.
O táxi arrancou e já não te via na estrada. Tinhas-te afogado no meio daquela multidão de pessoas.
Olhei para o relógio e agora o ponteiro dos segundos andava a um ritmo mais lento do que as minhas batidas cardíacas, que coitadas, estavam fraquíssimas!
O sol já se tinha posto e fui até à janela do meu quarto, ver as estrelas. Lembrei.me de quando víamos as estrelas de mão dada e eu te pegava ao colo  e te levava até ao nosso mundo, onde estávamos sempre felizes, juntos.
Tudo me fazia lembrar de ti e saber que não podia estar contigo deixava-me completamente devastado.
Passaram horas e eu continuava ali, à janela, a chorar e a chamar por ti à lua, na esperança que essa mesma te trouxesse até mim.
Perdi as forças e fui para a cama. Procurei o teu abraço no escuro e a única coisa que encontrei, foi a saudade de te ter nos meus braços.
Dormi com as minhas lágrimas e com o sonho de ser feliz ao teu lado.

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